sábado, 16 de junho de 2012

HISTÓRIA E NOTÍCIAS



Nos dois últimos textos escritos para este espaço referente a episódios da política paraense, tenho avaliado o aprendizado que está sendo repassado nas escolas do ensino médio sobre os fatos que constroem essa história, de que forma, e se há uma disciplina que projete aos alunos e alunas, nessas series iniciais, estudos sobre a formação política e social do estado sendo partícipes figuras hoje lembradas através de nomes de ruas, homenagens pontuais comemorativas de feitos ou fatos ocorrentes. No meu “laboratório experimental”, procuro fazer perguntas aos próprios universitários sobre o conhecimento deste ou daquele personagem paraense e/ou se sabe o motivo da escolha para nomear um dado monumento. Percebo que há uma grande defasagem de informação. Não porque a matéria esteja de fora dos programas dessas séries escolares, mas suponho que outras informações mais gerais são privilegiadas nos livros paradidáticos usados nas escolas. E, creio, há outras preocupações em repassar conhecimentos mais amplos e menos de cunho regional ao ensino médio do que a compreensão da história da formação social brasileira, no capítulo paraense.

Num texto elaborado pelos professores  William Gaia Farias, Magda Maria Ricci e Fernando Arthur de Freitas Neves, da Faculdade de História/UFPA, em junho de 2006 para a criação de um “Curso de Formação Continuada para professores do Ensino Médio da rede pública com dificuldades de garantir qualificação profissional” (http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/, observei o interesse dos autores em repassar uma base de expertise aos seus colegas que estão em sala de aula com turmas significativas de alunos onde esta matéria é básica. A vertente metodológica e os temas sociais e culturais organizados em módulos oferecem um quadro painelistico muito interessante integrando as várias áreas de conhecimento para contribuir com o conteúdo da História a ser repassado – objetivando “integrar teoria e prática no seu decorrer, posto que os currículos nacionais de história no ensino superior têm tentado assegurar o exercício investigativo calcado no uso das fontes diversas tais como os monumentos, estatuárias funerárias, manuscritos, documentação impressa, anúncios, iconografias, paisagens, logradouros etc.”

Pela magnitude de um curso dessa natureza é possivel que este projeto da Faculdade de História ainda esteja sendo desenvolvido para este público-alvo com presença na sala de aula efetiva em todas as classes do ensino médio estadual. Mas, se por um lado há a motivação para o uso do aporte metodológico no repasse dos temas, certamente há, também, a abrangência dos materiais conteudísticos motivando a inscrição dos fatos da história regional para o aprendizado nesse tempo escolar. Contudo, pelos emails que recebi depois dos textos publicados neste jornal sobre a crise de 1935 e Magalhães Barata no Pará, percebi a ausência de informação sobre essa parte da história paraense.

Testemunhei, há anos passados, um afilhado meu chegando em casa com seus afazeres escolares do ensino fundamental constando um item que solicitava os nomes de personalidades da política no Pará. O jovem desconhecia os mais antigos e só reconhecia os então governadores e parlamentares. Esses nomes foram registrados e aceitos todos pela professora. Ao avaliar o C (certo) que recebeu na questão, perguntei-lhe quem eram e o que haviam feito. Ele não sabia.

Se personagens e fatos representativos da política paraense do passado são desconhecidos pelos alunos de ensino médio e/ou por universitários, não se dá o mesmo sobre as figuras que frequentam a mídia, a exemplo, os que se apresentam nas sessões de CPMIs. De Carlinhos Cachoeira a Durval de tal & sequência de tipos acusados por práticas de corrupção são conhecidos tanto dos episódios que os envolveram como das tranças que marcam a presença destes na mídia (principalmente a televisiva e as redes sociais). Quem acusou, quais ferramentas foram usadas para a acusação, o que responderam e etecetera & tal são parte da noticia que recolhem (quando o fazem) para uma contestação opinativa, sem nenhum fundamento mais substancial (origem, motivos, jogo no poder). Revelam, então, a reprodução que a midia oferece em torno da evidência dos fatos, da culpa e julgamento sumário dessas figuras. Não se verifica um conhecimento consistente da ocorrência que levou a esses eventos. Há um principio maniqueista a acelerar idéias, tombadas em tendências partidárias.

Retorna-se então ao dilema do conhecimento da história, passada e recente. Se no primeiro caso meninos e meninas do ensino médio revelam carências acentuadas sobre acontecimentos que marcaram o Pará em fases do sistema republicano é porque o exercicio da indução ao conhecimento desses eventos não teve importância crucial. Perde-se o momento de definir e conhecer esses fatos para evidenciar o que é verídico e o que é mitológico articulado a diversos saberes da área das Ciências Humanas. Pergunta-se: o que vem sendo discutido no campo acadêmico tem sido aplicado nas escolas, pelos professores, sabendo-se que nesse campo há estudos focais sobre a história paraense? E se isto ocorre de que forma vem sendo disseminado pelo conteúdo programático das disciplinas?


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